Após mais de 10 anos, júri de acusados pela morte de jovem grávida começa hoje em Gravataí

Julgamento envolve homicídio, aborto sem consentimento e cinco tentativas de assassinato; caso remonta a ataque a tiros ocorrido em 2015

O Tribunal do Júri inicia nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, o julgamento dos cinco réus denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul pela morte da jovem Ana Paula Leal Pedrozo, de 20 anos, que estava grávida de seis meses. O processo também inclui cinco tentativas de homicídio contra familiares da vítima, entre eles duas crianças. A previsão é de que a sessão se estenda por até dois dias.

O crime aconteceu em maio de 2015 e teve grande repercussão pela violência da ação. Conforme a denúncia, o veículo onde estavam as vítimas foi interceptado e atingido por vários disparos. A investigação aponta que o atentado teria ligação com disputas relacionadas ao tráfico de drogas na região e teria sido executado como represália dentro de conflitos entre grupos criminosos.

De acordo com o processo, as vítimas trafegavam em um Fiat Palio quando foram surpreendidas por ocupantes de outro automóvel que utilizava luz semelhante a giroflex, estratégia que teria facilitado a abordagem. Os atiradores efetuaram diversos disparos contra o carro. A acusação sustenta que os denunciados agiram de forma planejada e utilizaram um meio que impossibilitou qualquer reação das vítimas, que estavam dentro do veículo.

Ana Paula foi atingida na cabeça e morreu no local. O bebê que ela gestava também não resistiu. Além das mortes, dois homens e uma mulher ficaram feridos. As crianças que estavam no automóvel não foram baleadas. A denúncia aponta ainda que os executores continuaram atirando mesmo após alertas de que havia menores dentro do carro.

Os réus respondem por sete crimes dolosos contra a vida, sendo um homicídio consumado, cinco tentativas de homicídio e aborto provocado sem consentimento da gestante, além do delito conexo de associação criminosa armada. Um sexto suspeito chegou a ser denunciado como participante do ataque, mas morreu posteriormente em confronto com a polícia e não será julgado.

O Ministério Público sustenta que há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para levar o caso à apreciação do júri popular, que começa nesta quarta-feira, mais de uma década após o ataque.

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