A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, na manhã desta quinta-feira (24), um homem de 29 anos suspeito de vender acessos ilegais a sistemas judiciais e fornecer documentos falsificados utilizados em golpes, incluindo o chamado golpe do falso advogado. A prisão ocorreu em Vila Velha, no Espírito Santo, com apoio da Polícia Civil capixaba, durante a terceira fase da Operação Falso Patrono.
As investigações tiveram início em 2024, após diversos advogados gaúchos denunciarem que seus nomes e dados profissionais estavam sendo usados por criminosos em contatos fraudulentos com clientes. A partir dessas denúncias, foram instaurados inquéritos e realizadas duas fases anteriores da operação, que resultaram em nove prisões e mais de 50 ordens judiciais cumpridas em cinco estados.
Segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE), vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), o homem preso nesta quinta-feira atuava como fornecedor de logins de advogados para sistemas como PJe, ESAJ, Projudi e eproc. Com esses acessos, golpistas conseguiam consultar e manipular processos, emitir documentos falsos, criar procurações e aplicar golpes diversos.

Além disso, o suspeito mantinha uma gráfica clandestina em Vila Velha, onde produzia documentos físicos e digitais falsificados, inclusive contas falsas em plataformas como gov.br e aplicativos financeiros. Segundo a Polícia Civil, o investigado chegou a afirmar que “atendia mais de mil pessoas por dia”, indicando o grau de disseminação do esquema.
O material fornecido por ele também teria sido usado em fraudes apuradas na Operação Medici Umbra, deflagrada em junho de 2025 em São Paulo. Nessa operação, cinco pessoas foram presas por invadir contas digitais de médicos gaúchos e desviar valores de suas contas bancárias.
A companheira do investigado também foi identificada como cúmplice. Ambos já haviam sido presos em 2022, também em Vila Velha, em uma gráfica clandestina com documentos falsos, carimbos oficiais, papel moeda e maquinário para falsificações de alta qualidade. Na ocasião, a mulher foi identificada como foragida da Justiça de São Paulo por tráfico de drogas.
Com a nova fase da Operação Falso Patrono, a Polícia Civil do RS reafirma seu compromisso com investigações qualificadas e com o combate à atuação de organizações criminosas que operam em nível nacional.




